Ortodoxo: Analisemos agora a questão do livre árbitro e da predestinação.
protestante: Jamais consegui compreender satisfatoriamente esta questão.
Ortodoxo: Desde o tempo de Agostinho os cristãos ocidentais se tem debruçado sobre ela e até hoje não chegaram a qualquer acordo.
protestante: Ouvi dizer que vós Ortodoxos gregos professais o semi pelagianismo.
Ortodoxo: Grotius e outros protestantes holandeses que estudaram nossa fé chegaram a esta conclusão.
protestante: Em seus comentários bíblicos o profo R N Champlinn assevera que no corpo do Novo T. existem trechos a favor da predestinação e trechos a favor da liberdade e conclui arrematando que a salvação é um mistério insolúvel e paradoxal.
Ortodoxo: Caso tal afirmação fosse verídica penso que não haveria mistério algum, mas pura e simples contradição. Nesse caso deveríamos reconhecer a inconsistência da fé Cristã e repudia-la
protestante: Nossos líderes afirmam que o homem é livre, mas afirmam ao mesmo tempo que é atraído e subordinado a fé por ação interna e irresistível da parte de deus.
Ortodoxo: Caso o homem não disponha de verdadeira liberdade tendo em vista saber e aderir a verdadeira religião, mas, apenas e tão somente tendo em vista os assuntos da vida presente - i é para escolher o cônjuge, a refeição ou o traje que melhor lhe agrade - penso que o valor desta liberdade seja bastante baixo.
protestante: Seria de fato uma meia liberdade ou uma liberdade ilusória.
Ortodoxo: Por outro lado é o próprio Deus que converte a uns apenas e não outros, devemos concluir que seja ele é o verdadeiro responsável pela perdição daqueles que deixa entregues a si mesmo ou pelos quais nada fez...
protestante: Ou seja, estamos ensinando a predestinação...
Ortodoxo: Nem mais, nem menos só que delicada ou ardilosamente.
protestante: Compreendo.
Ortodoxo: Por outro lado caso sustentemos que Deus apenas chama ou convida a todos os homens mas que apenas alguns aderem voluntariamente ao chamado divino, executando sua salvação, enquanto os demais resistem; estamos ensinando o semi-pelagianismo inda que digamos molinismo ou arminianismo por receio de Agostinho, Lutero, Calvino e seus sequazes.
protestante: Não haveria qualquer outro tipo de solução possível, digo; intermediária?
Ortodoxo: Existem disfarces, farrapos ou andrajos com que se oculta o decreto horrendo de Calvino - e são amiúde empregados por vossos líderes - e tinturas com que os papistas post Trento são obrigados a cobrir seu semi-pelagianismo inveterado. Isto porque o último semi-pelagiano declarado Albertio Pighius - contraditor e refutador de Calvino - acabou sendo lançado ao index...p
protestante: Não seria o caso de estarmos diante de mais uma doutrina obscura e irrelevante ?
Ortodoxo: Fosse assim não teria ela suscitado tantas querelas como as de: Agostinho X Pelagio, Celestio e Julião de Eclanius; a de Goteschalco X Hincmar de Reims; a de Lutero X Erasmo (brilhante campeão do livre árbitro); a dos calvinistas X arminianos em Dordth (Barnaveldth perdeu a cabeça por causa dela e Episcupius foi exilado); a dos tomistas X molinistas; a dos Jansenistas X Jesuitas; a de Wathfield X Wesley; etc penso que nenhum destes ilustres contraditores julgava estar debatendo a respeito de uma doutrina obscura ou pouco importante.
Basta dizer que o calvinista Turretini encarava a predestinação como o fundamento e a base de toda revelação cristã enquanto para seu opositor Arminius dizia outro tanto a respeito da livre iniciativa.
protestante: Não sei o que pensar, estou um pouco confuso.
Ortodoxo: Agora considere e reflita> Caso atribuamos a perdição eterna do ser racional a vontade positiva de Deus, podemos suster que este Deus seja de fato um Pai pleno de amor e bondade para com seus filhinhos ou devemos concluir que não passe de um ser mesquinho, vingativo e rancoroso; logo limitado?protestante: Sou obrigado a concordar que um Ser infinitamente benevolente, generoso, clemente, misericordioso, compassivo, magnânimo, etc seria sempre incapaz de repudiar a maior parte das escrituras que trouxe a existência e de submete-las positivamente as punições dolorosas de caráter irrevogável. Por outro lado quem somos nós para julgar a divindade???
Ortodoxo: Acaso não declaram as escrituras dos judeus - repetidamente citadas por vós - que somos 'Imagem e semelhança sua.'? É de se supor que imagem possa compreender o protótipo e o semelhante entender o semelhante... outra não é a opinião do apóstolo: “Falo como a entendidos; JULGAI vós mesmos o que digo” (1Co 10:15) O próprio Jesus supõe esta possibilidade ao declarar: "Por que não julgais vós com exatidão?" pois do contrário - caso o homem não fosse capaz de julgar com exatidão - seria estúpida sua pergunta.protestante: Talvez devessemos empregar a intuição ao invés da razão para melhor aquilatar tais assuntos.
ortodoxo: "Oferecei a tantos quantos solicitarem as RAZÕES da vossa esperança." é mandamento baixado pela pena apostólica. Agora se o amigo deseja empregar a intuição comecemos pela seguinte palavra do Evangelho: "Acaso aos filhos que pedem pão dará Deus vosso Pai uma pedra e ao que pede um ovo lançará ele uma serpente? SE SENDO VÓS MALVADOS DAIS COISAS BOAS A VOSSOS FILHOS QUANTO MAIS VOSSO DEUS E PAI CELESTIAL."
Agora dirá tu que ao condenar previamente e desde toda eternidade a penas dolorosas a maior parte dos seres racionais - que aspiram pela misericórdia e pela conservação do ser - procede o deus de João Calvino como o Deus de Jesus, acima descrito; e que oferece pão e ovos ao invés de pedras e serpentes???
protestante: De fato não posso deixar de, ao menos neste ponto, estar de pleno acordo com John Wesley.
Ortodoxo: Agora julga você que é irrelevante ou indiferente a piedade atribuir a este Pai de amor e bondade descrito pelo Senhor Jesus Cristo a imagem de déspota, tirano ou monarca absolutista que lhe foi atribuída pelos antigos hebreus e que ainda hoje é conservada pelos calvinianos?
Protestante: Julgo que nada do quanto possa distorcer o caráter e a vontade de Deus, comprometendo suas perfeições infinitas, deva ser encarado como pouco importante. Uma vez que a divindade constitui por assim dizer o fundamento da religiosidade não vejo como possamos estar equivocados a respeito dela e edificar uma religiosidade sã.
Ortodoxo: Diante da sentença apostólica: "A vontade de Deus é que todos os homens se salvem e cheguem ao pleno conhecimento da verdade" poderíamos concluir nós que a vontade de Deus ficou frustrada e sem realização? Pior: poderíamos endossar as opiniões sacrílegas e blasfemas de Lutero e Calvino PARA OS QUAIS TERIA DEUS UMA DUPLA VONTADE desejando ao mesmo tempo salvar e punir a maior parte do gênero humano (Lutero e Calvino comm in loc cit)???
protestante: Apelando a determinadas partes da escritura sugerem os calvinistas que seja movido por ciúmes, glória, cólera, desejo de vingança, força, poder, etc
ortodoxo: Gostaria de saber de que parte do Evangelho extraíram eles tais categorias.
protestante: Não foi ao Evangelho que tais categorias foram tomadas mas dos escritos hebraicos pertencentes ao antigo Testamento ou seja aos escritos atribuídos a Moisés, Josué filho de Nave, Samuel, David, Salomão, Miqueias, etc
ortodoxo: Agora não te parece que tal concepção a respeito da divindade - semelhante em tudo a dos antigos pagãos e a dos maometanos - tenha sido limitada pela constituição mental primitiva comum ao homem de antanho e condicionada por fatores externos de natureza material, social, etc??? E que tenha sido purificada, corrigida, ultrapassada e aperfeiçoada pela pena evangélica?
protestante: Já desesperei de tentar compreender como um ser perfeito possa deixar de planejar e prever e como tendo planejado, previsto e conhecido a execução de sua vontade Eterna possa encolerizar-se??? Se tem conhecimento sobre o futuro e estabeleceu as leis naturais e sobrenaturais tendo em vista determinados fins como poderia ficar impaciente ou irritar-se? Acaso não é Senhor do tempo, da eternidade e dos mortais viventes?
Nem posso atinar como sendo Perfeito, bem aventurado e estável tenha produzido seres de tão reduzido tamanho com o objetivo de elogia-lo, louva-lo, bajula-lo e faze-lo feliz... Teria deus algum problema de aceitação ou baixa estima? Seria carente de afeto ou insatisfeito em seu isolamento???
Também não entendo como possa sentir ciúmes tendo e vista disparidade existente entre a grandeza de seu ser a dimensão dos mortais viventes e dos objetos materiais... nem atino como possa auferir qualquer vantagem ao vingar-se em seres tão frágeis e finitos sendo ele quem é...
Ouso enfim questionar quão piedoso sejam conceber a divindade como uma força cega ou um poder arbitrário ao invés de concebe-lo como um poder ou uma força controlada uma infinita sabedoria e disposta para sentimentos tanto mais nobres e elevados como o amor, o bem, a compaixão, a filantropia, etc
Ortodoxo: Examinando a questão sob quaisquer aspectos observamos que os antigos hebreus não puderam formar uma ideia bastante nítida ou clara a respeito do Supremo Ser e elevar-se acima de tudo quanto era comum ao tempo. Tanto pior para os calvinistas que tomam tais mestres por guias ao invés de tomarem ao Verbo da vida, isto é, aquele que disse: "O QUE DE MEU PAI MESMO OUVI DECLARO A VÓS."
protestante: De modo algum poderíamos dar como frustrada a vontade de um ser Onipotente e sapiíssimo; pois a um lado comprometeríamos sua plenipotência, supondo-o frágil e limitado; e por outro sua sabedoria, supondo-o ignorante e tosco...
Nem posso estar de acordo com os dois grande reformadores pois como poderia Deus ter duas vontades opostas sem ser contraditório, sem contraditório sem ser imperfeito e ser imperfeito se é sumamente perfeito???
.
Ortodoxo: Nem mesmo eu teria logrado refletir tão ampla e profundamente sobre o assunto. Agora se o deus de Calvino não atua movido por amor, bondade, clemência, sabedoria, etc como sói um ser Infinitamente perfeito; por que impulso move seu Ser?protestante: Apelando a determinadas partes da escritura sugerem os calvinistas que seja movido por ciúmes, glória, cólera, desejo de vingança, força, poder, etc
ortodoxo: Gostaria de saber de que parte do Evangelho extraíram eles tais categorias.
protestante: Não foi ao Evangelho que tais categorias foram tomadas mas dos escritos hebraicos pertencentes ao antigo Testamento ou seja aos escritos atribuídos a Moisés, Josué filho de Nave, Samuel, David, Salomão, Miqueias, etc
ortodoxo: Agora não te parece que tal concepção a respeito da divindade - semelhante em tudo a dos antigos pagãos e a dos maometanos - tenha sido limitada pela constituição mental primitiva comum ao homem de antanho e condicionada por fatores externos de natureza material, social, etc??? E que tenha sido purificada, corrigida, ultrapassada e aperfeiçoada pela pena evangélica?
protestante: Já desesperei de tentar compreender como um ser perfeito possa deixar de planejar e prever e como tendo planejado, previsto e conhecido a execução de sua vontade Eterna possa encolerizar-se??? Se tem conhecimento sobre o futuro e estabeleceu as leis naturais e sobrenaturais tendo em vista determinados fins como poderia ficar impaciente ou irritar-se? Acaso não é Senhor do tempo, da eternidade e dos mortais viventes?
Nem posso atinar como sendo Perfeito, bem aventurado e estável tenha produzido seres de tão reduzido tamanho com o objetivo de elogia-lo, louva-lo, bajula-lo e faze-lo feliz... Teria deus algum problema de aceitação ou baixa estima? Seria carente de afeto ou insatisfeito em seu isolamento???
Também não entendo como possa sentir ciúmes tendo e vista disparidade existente entre a grandeza de seu ser a dimensão dos mortais viventes e dos objetos materiais... nem atino como possa auferir qualquer vantagem ao vingar-se em seres tão frágeis e finitos sendo ele quem é...
Ouso enfim questionar quão piedoso sejam conceber a divindade como uma força cega ou um poder arbitrário ao invés de concebe-lo como um poder ou uma força controlada uma infinita sabedoria e disposta para sentimentos tanto mais nobres e elevados como o amor, o bem, a compaixão, a filantropia, etc
Ortodoxo: Examinando a questão sob quaisquer aspectos observamos que os antigos hebreus não puderam formar uma ideia bastante nítida ou clara a respeito do Supremo Ser e elevar-se acima de tudo quanto era comum ao tempo. Tanto pior para os calvinistas que tomam tais mestres por guias ao invés de tomarem ao Verbo da vida, isto é, aquele que disse: "O QUE DE MEU PAI MESMO OUVI DECLARO A VÓS."
Em que um Deus cuja natureza pudesse ser definida antes de tudo como poder e força distinguir-se-ia das divindades pagãs?
protestante: Apenas no número pois quanto ao caráter e sentimentos não passaria doutro Zeus, Jupiter ou Wotan..
Ortodoxo: Tal o verdadeiro caráter de Javé o deus étnico dos judeus, para o qual a compaixão significava fragilidade e o carniçaria virtude! Assim enquanto Jesus Cristo declara bem aventurados os pacíficos, Javé como seu irmão mais velho Nesroc, Assur ou Nusku decreta o primeiro genocídio da História...
Agora o deus dos calvinistas, pentecostais, fundamentalistas e judaizantes é este; o nosso Deus no entanto é o Pai de amor e bondade que manifestou sua vontade por meio do Evangelho da Graça.
Agora o deus dos calvinistas, pentecostais, fundamentalistas e judaizantes é este; o nosso Deus no entanto é o Pai de amor e bondade que manifestou sua vontade por meio do Evangelho da Graça.
Enfim por ser este deus onipotente - sem ser caridoso, bondadoso e generoso - seria desejável ou amável?
protestante: Evidentemente que não.
Ortodoxo: Neste caso como aquilatar a doutrina da predestinação?
protestante: Como um ultraje face a natureza perfeita de Deus, um ultraje face seu caráter paternal, um ultraje face sua missão reparadora! Um ultraje sem tamanho, um ultraje sem limites, um ultraje reservas! Uma manobra desastrosa em todos os sentidos...
ortodoxo: Neste caso poderia tal doutrina ser encarada como neutra???
protestante: Ainda aqui devo confessar e declarar que não.
ortodoxo: Agora esforça-te reflete um pouco> caso atribuamos ao ser racional o impulso ou princípio de sua conversão que é o desejo de romper com a maldade e aproximar-se do bem de que modo ou forma atingiríamos o sacrifício da cruz? Mão que ele deve segurar e tábua a que deve abraçar-se para consumar esta ruptura e concretizar suas esperanças?
Afirmamos nós que fosse capaz de salvar-se sem o adjutório divino da Cruz ou sem o auxílio da graça divina? Não, nós afirmamos a necessidade absoluta da graça divina tendo em vista a emancipação dos mortais e a consequente vitória sobre o pecado, o vício e a iniquidade.
Não repudiamos coisa alguma sustentamos que a criatura livre e racional ao contrário de um pedaço de pedra ou uma ripa de madeira deva tomar parte no processo de sua salvação colaborando ativamente com a graça divina. Agora quem sustenta que o homem nada faz que tenha coragem suficiente para apresenta-lo como - Lutero e Calvino recorreram a esta comparação - uma pedaço de pedra, uma ripa de pau, uma estátua de sal ou um monte de estrume... agora bela imagem e semelhança é esta monte de estrume ou o maligno suficientemente poderoso e forte para transtornar por completo aquilo que foi disposto pelo Deus sábio, onipotente e perfeito...
Afirmamos nós que fosse capaz de salvar-se sem o adjutório divino da Cruz ou sem o auxílio da graça divina? Não, nós afirmamos a necessidade absoluta da graça divina tendo em vista a emancipação dos mortais e a consequente vitória sobre o pecado, o vício e a iniquidade.
Não repudiamos coisa alguma sustentamos que a criatura livre e racional ao contrário de um pedaço de pedra ou uma ripa de madeira deva tomar parte no processo de sua salvação colaborando ativamente com a graça divina. Agora quem sustenta que o homem nada faz que tenha coragem suficiente para apresenta-lo como - Lutero e Calvino recorreram a esta comparação - uma pedaço de pedra, uma ripa de pau, uma estátua de sal ou um monte de estrume... agora bela imagem e semelhança é esta monte de estrume ou o maligno suficientemente poderoso e forte para transtornar por completo aquilo que foi disposto pelo Deus sábio, onipotente e perfeito...
protestante: Nossos líderes asseveram que devamos atribuir tudo, absolutamente tudo a Deus e nada ao homem.
ortodoxo: Mesmo que no fim das contas tivéssemos de atribuir-lhe a origem do mal e do pecado?
Acreditas ti que fazemos grande honra e mercê ao Deus Santo e Bom quando lhe atribuímos a responsabilidade direta pela existência do mal e o pecado?
Acaso prestigiamos a Santidade divina ao suster que Satanás ou Adão foi constrangido a pecar pelo próprio Deus e que Deus decretou a manifestação do pecado e do mal no mundo desde toda eternidade?
Agora se lhe agradava a manifestação e existência do mal por que destinou-o a punição e a punições eternas?
Por que decretou o castigo dos homens que pecaram se pecaram por vontade sua?
E como poderia ser Santo, puro, isento do mal e adversário do pecado como afirmam as escrituras em diversas partes e simultaneamente autor do mal e do pecado?
Agora o mal ai esta e temos diante de nós duas alternativas apenas com que explica-lo: ou se trata duma obra divina ou duma disposição livre por parte da vontade humana.
Por outro lado não podemos conceber que o homem seja livre apenas para o mal. Donde concluímos que sendo livre para fazer o mal deve ser igualmente livre para aspirar pelo bem mesmo quando não possa po-lo em prática com fidelidade absoluta.
Agora se lhe agradava a manifestação e existência do mal por que destinou-o a punição e a punições eternas?
Por que decretou o castigo dos homens que pecaram se pecaram por vontade sua?
E como poderia ser Santo, puro, isento do mal e adversário do pecado como afirmam as escrituras em diversas partes e simultaneamente autor do mal e do pecado?
Agora o mal ai esta e temos diante de nós duas alternativas apenas com que explica-lo: ou se trata duma obra divina ou duma disposição livre por parte da vontade humana.
Por outro lado não podemos conceber que o homem seja livre apenas para o mal. Donde concluímos que sendo livre para fazer o mal deve ser igualmente livre para aspirar pelo bem mesmo quando não possa po-lo em prática com fidelidade absoluta.
ortodoxo: De fato caso Deus não tivesse optado por vir até nós e fazer-se um de nós com o intuito de ligar-nos a sua natureza e esclarecer-nos de nada nos serviriam o intelecto e a vontade.
No entanto uma vez que ele veio a nós, a nós nos é dado compreende-lo e aderir a ele; alias já estamos de certa forma nele na medida em que para ele nos encaminhamos e que desejamos os bens que somente ele nos pode comunicar.
protestante: Compreendo.
Ortodoxo: Por outro lado se é a criatura racional que decide voluntariamente praticar o mal e afastar-se do bem a quem pertence a responsabilidade pelos sofrimentos, dores e castigos que haverá de experimentar?
protestante: Percebo que caso o homem seja reconhecido como autor do mal tendo em vista o uso inadequado da liberdade fica Deus plenamente justificado em sua pureza, inocência e santidade. E também percebo como não seria capaz de optar livremente pelo mal se não pudesse optar do mesmo modo e maneira pelo bem.
Ortodoxo: Agora se não pode o homem aderir a Jesus Cristo ou repudia-lo livremente não passa dum boneco, duma marionete ou de um títere nas mãos de um deus malevolente cujo supremo gozo é torturar perpetuamente os seres racionais em sua gigantesca churrasqueira sagrada. E quando fica o réprobo tão tostado quanto S Sebastião em sua grelha torna o Hitler supremo a vira-lo do outro lado qual fosse um bife, um bife humano....
protestante: Agora posso perceber a questão em todo mérito de sua abrangência.
Ortodoxo: E no entanto a consciência protestante, em posse da mesma Bíblia e do mesmo método - o livre exame - permanece visceralmente dividida entre as duas correntes, tendendo parte dela a abominação calvinista.
E sabemos com que gana apelam os Calvinistas, contra seus adversários; a escritura, a exegese, a polêmica, etc produzindo imensa confusão ao cabo de quase quinhentos anos além, é claro; de muita dúvida e apostasia.
E sabemos com que gana apelam os Calvinistas, contra seus adversários; a escritura, a exegese, a polêmica, etc produzindo imensa confusão ao cabo de quase quinhentos anos além, é claro; de muita dúvida e apostasia.
protestante: Em que o amigo se baseia para fazer semelhante afirmação?
Ortodoxo: Em diversos sites calvinistas e batistas dos EUA, nos quais os adeptos de uma e outra corrente acusam-se mutuamente de heresia, blasfêmia e sacrilégio após terem discutido a exaustão. Veja que não são os papistas ou os Ortodoxos que acusam os protestantes, mas os protestantes que acusam-se uns aos outros como heréticos, infiéis, réprobos, sectários, apostatas, prova de que o protestantismo não possui unidade e matéria de fé...
Nenhum comentário:
Postar um comentário